Trabalhadores, empresários e moradores pedem retorno próximo ao pedágio em Porto Belo

A exemplo do que ocorreu na última semana, quando representantes dos lojistas usaram a tribuna da Câmara de vereadores de Porto Belo para cobrar soluções para o problema do Centro, nesta segunda-feira (30) moradores, trabalhadores e empresários da rua Aliatar Silva estiveram na sessão da Câmara vocalizando a sua insatisfação com o que classificaram como “ausência do poder público”. Embora veemente, a mensagem não deixou de contar com o respaldo do Legislativo, que se mobilizou para tentar encontrar a solução.

“É desesperador”, repetiu mais de uma vez na tribuna Alex Neuce de Souza, gerente administrativo de uma empresa de coleta de resíduos e morador da Aliatar Silva. Localizada entre o viaduto de Porto Belo e a praça de pedágio, com acesso pela marginal oeste da BR-101, a rua abriga pouco mais de dez empresas e emprega em torno de 500 funcionários. Apesar dos números nada desprezíveis, a localidade reclama de um abandono de vinte anos, conforme afirmou Alex, que foi o porta-voz de cerca de 50 representantes da rua, mobilizados ao longo da última semana para ir à Câmara por uma necessidade urgente de visibilidade. E a questão que os deslocou até o Paço Legislativo nessa noite de segunda é o fato de que, no caminho, existe um pedágio.

Desde que a concessionária Arteris/Litoral Sul passou a operar, em fevereiro de 2009, muita gente que circula pela Aliatar e tem como destino Itapema, por exemplo, se viu obrigada a seguir sentido Tijucas, passar pelo pedágio, fazer o retorno e cruzar novamente a cancela, pagando a tarifa duas vezes em uma única viagem. Tanto no bolso de empregados quanto na planilha das empresas essa é uma conta difícil de fechar. A solução, no entendimento do grupo, é a construção de um acesso de mão dupla na marginal, tal como existe do outro lado da 101, e a isenção de pedágio para os moradores do Sertão de Santa Luzia de um modo geral.

Divulgação Hora de Porto Belo

Como resposta, a comitiva ouviu dos parlamentares que há um projeto de melhoria na malha viária daquela região, que é vizinha do condomínio aeronáutico — obra orçada em R$ 11 milhões, a serem pagos pela iniciativa privada e cujo projeto já foi encaminhado à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) —, e que o Legislativo não tem se furtado a tentar encontrar uma resolução para a questão do viaduto do Sertão — pauta que, conforme lembrou Diogo Santos (MDB), “tem sido discutida em quase toda sessão” da atual legislatura.

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“Eu acho que o poder público está trabalhando”, destacou o presidente da Casa, vereador Joel Lucinda (MDB). Para ele, de uns anos para cá, houve um salto orçamentário que permitiu à municipalidade se engajar na realização de grandes obras e driblar a morosidade dos órgãos federais. Porém, como a situação da Aliatar Silva exige urgência, Joel propôs formar uma comitiva da Câmara para dialogar com o Executivo e tentar uma resposta de curto prazo. Ao mesmo tempo, alguns vereadores propuseram discutir as diferenças com a Autopista Litoral Sul na Justiça. “Vocês estão aqui porque chegaram ao limite. E, quando cessa o diálogo, entra a ação civil pública”, pregou Magno Muñoz, outro representante da bancada emedebista. “Tem que judicializar a questão do pedágio. Ter um acesso decente para o Sertão de Santa Luzia é uma necessidade”, apoiou o republicano Jonatha Cabral.

A próxima rodada nesse longo impasse com a operadora do pedágio deve ser a audiência pública no Sertão, que os vereadores esperam seja realizada em setembro. Enquanto isso, os moradores da Aliatar Silva aguardam uma sinalização do Executivo para, enfim, enxergarem luz no fim do túnel: “Está sendo dada abertura para a conversa. Era o que a gente esperava”, analisou Alex de Souza.

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