Suspensão de exposição com fotos de ânus é mantida em Balneário Camboriú

Nesta quinta-feira (5) completa um mês desde que a Exposição Ruína, inaugurada na Galeria de Arte de Balneário Camboriú, foi fechada ao público, um dia após a inauguração. Artistas afirmam que a decisão foi tomada por censura, já que a mostra inclui imagens de nudez – entre elas, uma instalação com fotos de um ânus. 

A obra em questão chama-se Buraco e é da artista plástica Luluca L. Fotos adesivas, que retratam o ânus, foram espalhadas pelo chão e pelas paredes. A instalação faz referência a um buraco no teto da própria Galeria de Arte. O prédio tem problemas estruturais recorrentes.

A Exposição Ruína foi resultado do projeto cultural Experiência Lote 84, patrocinado pela Lei de Incentivo à Cultura. O projeto teve a participação de diversos artistas, que passaram por um processo de imersão com oficinas e pesquisa. Ao final do projeto, o grupo decidiu fazer uma mostra em forma de protesto, para chamar atenção para os problemas da galeria.

Um dia de exposição

A exposição foi inaugurada no dia 4 de fevereiro, e fechou no dia seguinte. A Fundação Cultural de Balneário Camboriú alegou problemas documentais e estruturais – a galeria teria sido liberada sem a anuência da fundação. A prefeitura prepara edital de licitação para reformar o local.

A presidente da Fundação, Bia Mattar, disse durante a montagem da mostra alertou os artistas que algumas obras poderiam causar ”desconforto” nos visitantes e isso precisava ser alertado. “Como eles não tinham feito os cartazes de alerta, os próprios técnicos da Fundação fizeram a impressão e colagem na entrada da galeria”, afirmou a presidente, em mensagem de texto à coluna.

Ela diz que, no dia seguinte à inauguração da exposição, um cidadão teria apresentado uma reclamação de conteúdo impróprio, sem alerta indicativo. “A partir daí, a suspensão da exposição foi a alternativa para revermos os processos normativos do uso do espaço público”.

A artista Luluca L. contesta a presidente da Fundação Cultural. Ela diz que a exposição tinha indicação de conteúdo, e afirma que houve censura.

— O que nos perturba é a exposição estar fechada por ordem moral, pois todas as questões técnicas foram supridas – afirma.

Suspensão permanece

— Fomos silenciados também na possibilidade de trocar informações com o público, explicar o que foi o projeto, falar sobre processos, explicar como se dá a criação de obras como as que estão na exposição – completa a artista.

Esta semana, o Conselho Municipal de Polícia Cultural discutiu a situação da exposição, e decidiu manter a suspensão. A decisão foi por 11 votos a 9.

Por Dagmara Spautz

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