OMS anuncia que Fiocruz detectou infecção causada por nova variante do vírus influenza A H1N2 com potencial pandêmico

OMS anuncia que Fiocruz detectou infecção causada por nova variante do vírus influenza A H1N2 com potencial pandêmico.

Caso, de gripe que é transmitida de porcos para seres humanos, é de uma mulher do Paraná, de 22 anos.

Por Ana Lucia Azevedo

Cientista em laboratório da Fiocruz, no Rio de Janeiro Foto: CARL DE SOUZA / AFP.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou em seu site a detecção, pela Fiocruz, de um caso humano no Brasil de infecção respiratória causada por uma nova variante do vírus influenza A H1N2. Essa gripe é transmitida de porcos para seres humanos e está entre aquelas consideradas com potencial pandêmico.

O caso é de uma mulher do Paraná, de 22 anos, que se recuperou. Porém, todos os casos de influenza A (H1N2)v são reportados à OMS porque esse é um dos vírus respiratórios estritamente monitorados devido ao potencial de causar pandemia, caso o influenza sofra alguma mutação e passe a ser transmitido por meio de contato pessoal. Mas não há evidências nesse sentido até agora, segundo a OMS.

Até o momento, são conhecidos no mundo 26 casos de influenza A (H1N2)v, reportados desde 2005, dois deles no Brasil e o mais recente este divulgado agora.

O vírus foi detectado pelo Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), referência nacional e para as Américas (Organização Mundial de Saúde) para influenza e o novo coronavírus. O mesmo laboratório, chefiado pela virologista Marilda Siqueira, vai agora estudar amostras de suspeita de Covid-19 do Paraná para investigar se alguns dos casos de doença respiratória notificados no estado são da nova variante de gripe.

Todos os 26 casos conhecidos foram causados por meio de contato com porcos e a maioria foi de doença branda. Não há evidência de contágio de pessoa para pessoa. A mulher que adoeceu no Paraná trabalhava num matadouro de porcos.

O professor titular de virologia da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, Eurico Arruda, especialista em vírus respiratórios, explica que esse é mais um caso de vírus pulando diretamente de animais para o ser humano e ressalta a necessidade de monitoramento rigoroso e estudos sobre esses patógenos.

– Não há evidência de contágio interpessoal nesse caso. Mas os vírus mudam, como o Sars-CoV-2 nos mostrou e precisamos estar vigilantes e nos antecipar – diz Arruda.

O Brasil apresentou em 22 de junho um relatório preliminar sobre o caso à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). De acordo com o relatório, a mulher de 22 anos não tinha qualquer doença prévia. Ela trabalhava num matadouro em Ibiporã, no Paraná. Em 12 de abril, apresentou sintomas de gripe.

No dia de 14 abril, ela procurou atendimento médico e amostras de secreção respiratória foram coletadas em 16 de abril, como parte de um monitoramento de rotina. Segundo a OMS, a paciente foi tratada com o antiviral oseltamivir, mas não precisou ser hospitalizada e se recuperou.

Inicialmente, um laboratório público do Paraná identificou um vírus influenza A indeterminado. As amostras então foram enviadas em maio, para o Rio de Janeiro, para o laboratório da Fiocruz, referência nacional para a influenza. Em 22 de junho, o sequenciamento genético do vírus revelou que se tratava do influenza A(H1N2).

Via G1

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