Em meio à pandemia, alta no preço da comida causa insegurança alimentar e aumento da fome

A pandemia da covid-19 provocou um grande abalo na economia brasileira em 2020 e o aumento do preço dos alimentos contribuiu para o aumento da inflação.

Os países aceleram como campanhas de vacinação para acabar com uma pandemia de coronavírus, mas outro desafio surge para alguns governos e economias mais vulneráveis.

Os preços globais dos alimentos estão no maior nível em mais de seis anos , puxados por vários fatores, como custos da soja, óleo de palma, demanda da China, cadeias de suprimento vulneráveis ​​e clima adverso.

Alguns bancos alertam que o mundo está caminhando para um “superciclo“ de commodities.

O arroz foi o principal “vilão”, mas os preços dos alimentos em geral, no ano passado, foram capazes de impressionar qualquer pessoa que frequente supermercados.

De acordo com os dados oficiais de inflação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço dos alimentos nos supermercados subiu 16% de janeiro a novembro. Só o arroz subiu 70%. O feijão preto subiu 40%.

Leite, frutas, legumes, carne, frango e ovos, produtos comuns à mesa da maioria dos brasileiros, também tiveram destinos parecidos. Todos tiveram aumentos maiores do que 10% no ano.

Por que tão caro? Dois fatores explicam a alta dos alimentos: Dólar alto: que incentiva os produtores a aumentarem as exportações, reduzindo, assim, a oferta de produtos no mercado interno; Auxílio emergencial: benefício do governo federal estimulou o aumento do consumo.

Trabalhadores passam fome enquanto muitos políticos recebem aumento salarial. FOTO: Lalo de Almeida /FolhaPress

FOME

Claro que que o aumento do preços da comida leva à carestia, à insegurança alimentar e ao aumento da fome.

Segundo  dados divulgados pelo Ministério da Saúde em 2018, 5.653 pessoas morreram de desnutrição em 2017 no Brasil, sendo uma média de mais de 15 pessoas por dia.

Quase 8 milhões de pessoas no Brasil vivem em situação de insegurança alimentar grave no país, que é quando alguém passa o dia todo sem comer por falta de dinheiro para comprar alimentos e há redução quantitativa de alimentos entre crianças.

Com a pandemia de Covid-19, cerca de 21 milhões de pessoas no mundo deixaram de fazer uma refeição porque a comida acabou e havia condição para comprar mais, de acordo com uma pesquisa do UNICEF realizada pelo Ibope Inteligência, em dezembro de 2020.

A desnutrição é uma das maiores ameaças para meninas e meninos, que são cada vez mais impactados pelo agravamento da pandemia com a redução de renda familiar, insegurança alimentar e escolas fechadas.

Saiba mais: https://uni.cf/3fvbv0E

PANDEMIA / PREÇO COMIDA

O pandemônio econômico provocado pela pandemia da covid-19 tem desarticulado a cadeia de produção de vários produtos e tem gerado aumento do preço global da comida.

Pior é quando se conjuga crise econômica, crise ambiental e crise social em numa situação de enorme desigualdade de renda e bem-estar.

A pandemia da covid-19 provocou um grande abalo na economia brasileira em 2020 e o aumento do preço dos alimentos contribuiu para o aumento da inflação. Os analistas nacionais consideram que o preço dos alimentos não devem subir muito em 2021 no Brasil, embora devam permanecer em elevado patamar. Mas com o agravamento da 2ª e 3ª onda pandêmica e mais de 30 milhões de brasileiros desempregados ou subutilizados durante esse ano de 2021 não será fácil.

A esperança é na vacinação em massa e a difusão do coronavírus seja contida. Mas as incertezas são grandes.

CAMPANHA

Para ajudar a minimizar estes impactos, O Janelão lança uma campanha. “Não deixe a fome matar mais que o Coronavírus”.

O objetivo de arrecadar alimentos e kits de higiene e limpeza para doar às famílias que precisam.

As doações arrecadadas serão destinadas a organizações sociais, que atendem diretamente crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, para que possam realizar a distribuição dos itens às famílias das crianças.

Fonte: José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV,
CNN BRASIL, G1, Google e Gov Federal.

 

 

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