Charles Van Lede e sua contribuição para nossa reunião

Por Isaque de Borba Corrêa 

O Engenheiro Charles Maximiliano Van lede, tido como fundador da cidade de Ilhota, não ficou só por ali na beira do rio Itajaí. Ele andou por vários lugares. Gosto muito de um trecho do livro em que ele relata a subida do Morro do Boi.

Compara com as dificuldades que teve no Andes. Interessante que ele relata a existência de muitas variedades de cobras nesse morro. Na linguagem guarani “M’BOI” – que quer dizer cobra – Muito provável que a teoria do colega Dieter Bruno Kool, esteja certa, que foi por causa disso que derivou o nome de Morro do Boi, ou seja, MORRO DO M’BOI – MORRO DAS COBRAS. Van Lede chama esse lugar de TAQUARASSATUBA, ou seja, “abundância de taquara.
O Caminho do Morro do Boi ficou muito famoso pelas suas dificuldades de transpô-lo. Coisinha fácil não dá história. O lugar mais comentado nos séculos passados tratando-se de caminhos, foi o Caminho do Morro do Boi. Vários relatórios no passado fazem referência a essa muralha que divide o nosso litoral em norte e sul. Van Lede desceu o Morro do Boi e seguiu pela praia em direção a Itajaí.
Assim que desceu o morro, na parada do rio Camburi-Guassu, ele diz:

“nós continuamos rumo ao norte ao longo da praia” até chegar no Canto: “De la parada du Camburiu-Guassu, nous continuâmes notre route au nord le long de la plage”.

Croqui da sesmaria de Baltazzhar 1817

Ele pediu informação para alguém no Pontal Sul se teria lugar para pernoitar lá no Canto da Praia. Alguém lhe informou que teria um rancho. Ele relata que saiu procurando uma casa e achou o “hangar”, o rancho. Evidentemente que o dono não gostou e o belga reclama que foi muito “mal acolhido”.

“en cherchant pour la nuit un gite qu’on nous avail indiqué; mais bien que la maison filt vaste et que nous ne demandassions qu’un abri sous un hangard, nous fumes tres-mal accueilli.  Também pudera né doutor, o senhor assustou o homem, desculpa ai, mas por aqui nesse fim de mundo, um estranho com uma mochila nas costas, armado, assusta os pobres!

Mas se ele falasse que era indicado de Agostinho Ramos poderia ter sido “bien accueilli”

Uhmm … mas se bem conheço uma família que morava na boca da lagoa no Canto da Praia não é difícil adivinhar com foi esse grosseirão que atendeu tão mal um homem tão diplomático. Bem, não vou dizer de que família é, mas fiquem à vontade para adivinhar.
Van Lede diz que o morador desta casa era das ilhas dos Açores e, na verdade, tal negação de hospitalidade não combinava com o jeitinho brasileiro. Boa seu doutor!!!

“ L’habitant de cette demeure était des iles Açores et en vérité, un tel déni d”hospitalité n’était pas dans les moeurs brésilienes”

Ainda bem que outro parente, o recebeu em seu rancho, e lhe deu pouso. Ufa, menos mal. Alguém pra limpar nossa barra. O próprio Van Lede se desculpa, dizendo que, ao procurar outra “habitation”, estava igualmente ocupada por outro açoriano e que este se apressou em colocar tudo à sua disposição. Este gesto removeu o mau pressentimento contra a portuguesada do Canto da Praia. Nem todo mundo é igual, né doutor?

Foto do Canto da Praia onde se deu o ocorrido.

“ Nous nous acheminâmes done vers une autre habitation qui se trouvait pres de là égal-ement occupée par un Açorien qui s’empressa à notre disposition tout ce qu’il possédait, et fit ainsi disparite une mauvaise préventiou qui s’était déjà implantée dans noti•e esprit contra ses compatriotes.”

Pra quem não está acostumado à história de Camboriú, seria bom explicar que a minha família, os Corrêa, eram todos do Canto da Praia, da beira da Lagoa do Canto e do Costão.
Só que tem uma coisa: não somos de origem açoriana. Baltazhar Pinto Corrêa, nosso patriarca, era de Lamego – Conselho de Viseu – família de Vila Real. Agora vc já sabe o porquê do único bairro que conservou o nome original em Balneário Camboriú, se chama Vila Real?

Parte do livro onde conta o fato acima narrado

Imagem:- Mapa de Van Lede – Veja que ele de fato andou no Rio Camboriú, tanto que consignou a Ilha no meio do rio e demarca certinho os rios Peroba, Mirim e do Meio.


Caminho do Morro do Boi. Início da construção da Br 101 em 1968/69

Por Isaque de Borba Corrêa

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