Bolsonaro, o irritado, usa cola, mas toma uma invertida de Marina

No debate da  Rede TV no dia 17, Bolsonaro não lembrou em nada o candidato focado do debate passado. Dessa vez, demonstrou nervosismo e irritação desde as primeiras respostas. Passou distante da imagem do “mito” celebrado pelos seguidores.

O destaque ficou por conta de Marina Silva ao fazer uma veemente defesa das mulheres. Bolsonaro cometeu o erro de enfrentá-la e se deu mal. Partiu para o ataque dizendo que a adversária era evangélica mas defendia plebiscito para legalização das drogas e liberação do aborto. Marina acabou fazendo um discurso forte condenando a violência que seria pregada pelo adversário em sua campanha.

Marina também criticou o rival por “pegar a mãozinha de uma criança e ensinar como é que faz para atirar”. “É esse o ensinamento que você quer dar? Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência”, disse ela, sob aplausos da plateia.

Bolsonaro até tentou se prevenir ao encarar Marina. Foi flagrado com uma “cola” na mão, onde se viu escrito “pesquisa, armas, Lula”, provavelmente indicando o caminho que queria seguir nas perguntas para a candidata do Rede. Não deu certo. Acabou tomando uma “invertida”.

O fato é que ela pode ter encontrado um pulo de gato nessa intervenção. Comunicou-se com o eleitorado feminino, que é maioria no País, e pode ter descoberto uma brecha na fortaleza de Bolsonaro, que lidera as pesquisas nos cenários que não incluem Lula.

É cedo para dizer que tipo de impacto esse desempenho poderá ter na campanha. Talvez seja ignorado pela maioria dos eleitores que parecem cada vez mais desiludidos com os políticos. Mas pode ter aberto um caminho para que Marina assuma um protagonismo entre os eleitores de centro-esquerda e entre os indecisos. (Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo | Estradão | Fotos Daniel Teixeira/Paulo Whitaker)

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